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"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
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São Paulo, sexta-feira, 5 de março de 2010

Governo de Bachelet termina mandato mostrando ao exército chileno quem manda no país

Autor: Edson   |   23:42   2 comentários

Na próxima quinta-feira, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, deixará a chefia do executivo do país andino ao cargo de Sebastián Piñera, recém-eleito.

Bachelet informou a agência Ansa que, por causa dos terríveis desastres ocorridos, a reconstrução do Chile tomará todo o mandato do novo presidente.

Sem delongas, tudo isso é conhecido e pode-se ler em qualquer jornal brasileiro, mas o que a nossa imprensa não destacou foi a hesitação do governo chileno que pode ter custado várias vítimas fatais e muita desordem.

Leia o título da reportagem do jornal El Mercurio de hoje:

"Asesores de la Presidenta le habrían recomendado no recurrir a los militares" (o negrito é meu)

Diz o artigo que os assessores da presidente Bachelet recomendaram não entregar o controle da zona afetada pela catástrofe aos militares. Por quê?

"Para una coalición que luchó contra la dictadura, la idea de tener a los militares en la calle no fue fácil", dijo el miércoles el ministro Bitar.

Em outra notícia, o mesmo jornal mencionou que:

"el comandante en jefe de la Fuerza Aérea, Ricardo Ortega" afirmou "que su institución estaba en disposición de desplegarse a lo largo del país dos horas después de la tragedia, pero que la tardanza se debió a la ausencia de una orden política.

(...) Altas fuentes del Ejecutivo reconocen que en un comienzo pesaron los consejos de los asesores presidenciales por evitar que el término del mandato de Bachelet estuviera marcado por el protagonismo de las FF.AA.

Muito bem. Palmas. O governo sai de cabeça erguida. Mostrou aos milicos quem manda no país. (Sim, claro, estou sendo irônico)

Mas enquanto as reuniões com assessores e militares ocorriam nas salas presidenciais e o governo tentava se conformar em manchar sua "honra" recorrendo a ajuda dos militares ...

 
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
 

Fonte das fotos:
http://www.boston.com/bigpicture/2010/03/chile_three_days_later.html
http://www.boston.com/bigpicture/2010/02/earthquake_in_chile.html

São Paulo, terça-feira, 17 de março de 2009

Testemunho sobre D. Helder

Autor: Edson   |   21:19   3 comentários

Transcrevo para este blog uma carta importante publicada na revista Catolicismo, edição de Março/2009. Os negritos são meus.

***

Neste centenário do nascimento de D. Helder Câmara, julgo oportuno citar um fato de que fui testemunha quando muito jovem, o qual me parece apresentar um aspecto não conhecido do arcebispo vermelho.

Nos anos 1968/69, sendo eu estudante de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago, acompanhei uma visita que D. Helder realizou à capital chilena por vários dias, pois desejava fazer uma reportagem sobre ela. Entre as atividades da visita constava um encontro, mantido em segredo, com a “Iglesia Joven”, movimento extremista da Teologia da Libertação, que poucos meses antes havia se apossado da catedral de Santiago.

Consegui infiltrar-me na reunião, com um gravador portátil — que na época era pouco discreto —, para gravar as palavras de D. Helder. Lamentavelmente, fui reconhecido por um colega da universidade, filho do embaixador do Chile no Vaticano. Quiseram tirar-me o aparelho, mas consegui escapar e subi no palanque, sentando-me num lugar onde uma agressão ficasse patente até para D. Helder.

No transcurso de sua palestra, quando respondia perguntas, uma delas versava sobre a liceidade do uso da violência na luta empreendida pela esquerda. Lembro-me perfeitamente da resposta de D. Helder. Parece-me ainda ouvi-la, tanto ela impressionou-me: “Eu não me vejo enfiando a faca nas costas de um empresário, mas à violência institucionalizada é legítimo responder com a violência revolucionária”.

Creio não ser possível um incitamento mais eloqüente à violência. Muitos dos assistentes que ouviram essas palavras constituíram mais tarde as milícias terroristas do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) e outras congêneres, que revolucionaram meu país.

Não queria que transcorresse o centenário de tal personagem sem tornar pública esta sua declaração. Certamente terá anestesiado as consciências desses jovens ardorosos de violência, para que a levassem a cabo.

Saí da conferência junto com D. Helder e desapareci na escuridão. Recebi depois, na universidade, a ameaça do filho do embaixador acima citado: caso eu publicasse o que havia visto e ouvido, iria sofrer as conseqüências.

D. Helder foi quatro vezes candidato ao Prêmio Nobel da Paz, mas meu testemunho revela como tal pretensão se chocava com a realidade...

(F.A.A. — Santiago, Chile)