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"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
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São Paulo, sábado, 13 de abril de 2013

O relativismo relativo ou a justa relatividade da verdade

Autor: Edson   |   09:58   Seja o primeiro a comentar

Então a afirmação "tudo é relativo" implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras?

Pe. Anderson Alves

Pe. Anderson Alves
Em outra ocasião dizíamos que o relativismo e o ateísmo absolutos são incompatíveis[i]. Pois quem afirma ser verdade que Deus não exista, não poderia negar a existência da verdade. De modo que o ateísmo absoluto nos mostra que relativismo não pode ser absoluto, só pode ser relativo.

E isso é comprovado se partimos da afirmação dos que dizem que o relativismo não nega a existência da verdade, mas somente diz que ela é sempre relativa. De fato, a afirmação de que “tudo é relativo” é muito comum nos nossos dias e pode significar algo equivocado e também algo certo. Equivocado quando quer significar que duas afirmações contraditórias podem, ao mesmo tempo, ser verdadeiras. Pois quem afirma isso deveria aceitar que duas afirmações contraditórias não podem ser contemporaneamente verdadeiras (uma vez que essa é a contraditória da afirmação anterior). Mas quem diz que duas afirmações contraditórias podem e não podem ao mesmo tempo ser verdadeiras, não sabe realmente o que fala. A inteligência e a linguagem humanas, se querem continuar sendo reconhecidas como tais, não aceitam contradições.

“Tudo é relativo” pode significar também algo bem preciso: que a verdade indica sempre uma relação. De fato, a verdade se dá quando se afirma aquilo que é, ou se nega aquilo que não é. Em outras palavras, a verdade se dá quando a inteligência apreende o que as coisas são e as expressa em juízos. De modo que “tudo é relativo” significa que toda verdade é relativa a uma inteligência: a de quem a conhece.

E a inteligência pode ser tanto a divina quanto a humana. A divina fundamenta toda verdade natural existente, porque Deus pensa todas as coisas e depois as cria (inclusive o processo evolutivo). E a correspondência daquilo que as coisas são com o pensado por Deus sobre as coisas é a verdade natural de todas elas, intrínsecas às mesmas. O intelecto humano, por sua vez, não conhece todas as verdades, mas está em potência para conhecê-las. Sendo assim, a relação do intelecto divino com as coisas é essencial para as coisas, pois sem essa relação as coisas não podem existir; a relação do intelecto humano com as coisas naturais é acidental, pois ainda que o homem não as conhecesse, essas existem e são dotadas de uma racionalidade e de leis próprias e cognocíveis. Santo Tomás de Aquino chega a dizer que se não houvesse nenhuma inteligência, nem a divina nem a humana (o que é impossível), não haveria nenhuma verdade[ii].

Então a afirmação “tudo é relativo” implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras? Evidentemente não, pois afirmar que duas contraditórias são verdadeiras implica aceitar que duas afirmações contraditórias não são verdadeiras, o que é um absurdo. Dizer que cada verdade é relativa a um intelecto quer dizer que a verdade só existe porque é conhecida por Deus e pode ser conhecida pela inteligência humana, mas não implica que a inteligência humana conhece infalivelmente a verdade. A inteligência humana não é nem a divina nem a angélica e pode se equivocar. Mas também só essa inteligência pode reconhecer o próprio erro.

Sendo assim, quando uma afirmação é verdadeira a sua contraditória necessariamente será falsa. Isso quer dizer que se uma pessoa diz “isso que está diante de mim é um computador”, não pode dizer no mesmo tempo “isso que está diante de mim não é um computador”. Quem está certo da verdade da primeira afirmação, não pode aceitar a verdade da segunda. Isso é o princípio básico de coerência do pensamento e da linguagem humana. Quem nega esse primeiro princípio se torna incapaz de fazer qualquer afirmação, de raciocinar, de dialogar, de viver em sociedade. Se torna, para continuar com o exemplo de Aristóteles, semelhante a um vegetal, com quem não é educado discutir.

E quando alguém diz: “isso é a tua verdade, mas não é a minha verdade”: há algum sentido? Certamente nesse caso deve-se analisar o conteúdo das duas afirmações e ver se ambas são realmente contraditórias e depois investigar se ambas são falsas, ou se alguma é verdadeira. No caso de que uma seja verdadeira, a sua contraditória será necessariamente falsa. E isso não implica discriminação com ninguém, pois é próprio de pessoas de inteligência considerar mais o que se diz do que quem o diz, num diálogo. Pode ocorrer que as duas afirmações não sejam contraditórias, mas verdades complementares, ou duas falsidades. É necessário saber, então, qual é o critério último para que uma afirmação seja verdadeira ou falsa. Já iniciamos aqui uma resposta, mas a aprofundaremos em outra ocasião.

O que importa agora é deixar claro que toda verdade se refere a uma inteligência. Nesse sentido, toda verdade é relativa, inclusive a verdade divina, relativa à inteligência (Logos) de Deus. E isso é o justo relativismo da verdade. Por outro lado, afirmar um relativismo absoluto, ou seja, dizer que toda afirmação é necessariamente verdadeira (ou necessariamente falsa), inclusive aquelas contraditórias, significa afirmar algo tão ilógico e antinatural que seria melhor não dizer nada: “sobre o que não se pode falar, se deve silenciar”[iii].

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma. Este artigo que publicamos acima nos foi enviado pelo próprio sacerdote.

[i] Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/e-possivel-um-relativismo-absoluto Cfr. também:http://www.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racional

[ii] S. TOMÁS DE AQUINO, De Veritate q. 1, a. 2.

[iii] L. WITTGENSTEIN, Tractatus logico-philosophicus, prop. 7.

São Paulo, quinta-feira, 27 de outubro de 2011

“Ditadura da Tolerância” – entrevista com José Antônio Ureta

Autor: Edson   |   16:46   1 comentário

José Antonio Ureta, Congresso ConservadorEm 2010, durante o VII Congresso Conservador realizado em Cracóvia, o pesquisador chileno José Antonio Ureta (foto ao lado), um dos conferencistas daquele evento, tratou sobre um assunto de grande atualidade: a “Ditadura da Tolerância”.

Para deixar nossos leitores a par do tema, o Sr. Ureta foi muito solicito em nos conceder uma entrevista.
***

- O que podemos entender por “Ditadura da Tolerância”? Não são palavras contraditórias?

José Antonio Ureta - Em teoria, são contraditórias; na prática, não. É uma outra maneira de exprimir aquilo o que o Papa Bento XVI denuncia como a "ditadura do relativismo".

Se por tolerância se entende que não há verdade nem êrro, nem bem nem mal, e que cada um pode pensar, querer e agir como bem entende, então deixa de haver valores absolutos e limites objetivos que se impõem a todos.

O resultado é que a maioria (ou até uma minoria que se julga "esclarecida") pode impor ditatorialmente aos demais aberrações contrarias à ordem natural.

Por exemplo, obrigar os médicos a praticar o aborto ou aos pais de família a aceitarem babás homossexuais para seus filhos.

São Paulo, sábado, 24 de setembro de 2011

Vídeo: A "tolerância" do mundo moderno

Autor: Edson   |   13:10   2 comentários

O vídeo abaixo retrata muito bem como são "tolerantes" tantos de nossos contemporâneos que combatem a "intolerância" católica.