Frase

"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
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São Paulo, terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Inquisição espanhola x bicicletas infantis: quem matou mais?

Autor: Edson   |   10:16   2 comentários


"À luz de sua reputação atormentadora, certamente surpreenderá aqueles que acreditam que milhões de pessoas morreram na Inquisição Espanhola aprender que durante os séculos 16 e 17 menos de três pessoas por ano foram sentenciadas à morte pela Inquisição em todo o Império Espanhol, que ia da Espanha à Sicília e Peru [1].

"[...] O que significa que através dos seus infames 345 anos [considerando três breves suspensões], a terrível Inquisição Espanhola foi, numa base anual, cerca de catorze vezes menos letal que bicicletas infantis [2]".

_____________

Theodore Beale, The Irrational Atheist, pág. 219 (Kindle):
[1] Henry Kamen, The Spanish Inquisition: A Historical Revision. New Haven: Yale University Press, 1997, pág. 203;
[2] Facts About Injuries To Children Riding Bicycles. Safe Kids Worldwide.

Fonte: Blog Cruz Inabalábel

São Paulo, segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O refluxo da grosseria e o retorno da polidez

Autor: Paulo Roberto Campos   |   21:36   Seja o primeiro a comentar



Voltando aos nossos assuntos concernentes à cortesia, recordo-lhes que no post do dia 9 p.p. (Revolução Francesa e a supressão do ornato nos trajes) foi destacado a influência dos trajes na Revolução de 1789 e como esta odiava o ornato, pois isso favorecia a desigualdade natural desejada por Deus.

Para hoje seguem novos trechos do livro “A HISTÓRIA DA POLIDEZ — de 1789 aos nossos dias”, nos quais o autor, o Prof. Frédéric Rouvillois. Depois de tratar de uma como que agonia da polidez (no período da Revolução Francesa), mostra que em seguida ocorreu entre os franceses uma enorme apetência pelo retorno das boas maneiras, um horror pela impolidez grosseira imposta pelos revolucionários em nome do mito igualitário.

“O ataque contra a polidez tem início no momento em que a Revolução Francesa se radicaliza, no fim de 1790, se acentua no verão de 1792, quando os sans-culottesingressam na cena política, e culmina sem dúvida no começo do ano II, nos meses seguintes à queda dos girondinos. É então que são feitas as proposições mais audaciosas, que se generaliza o tratamento por tu e que se trata de punir aqueles que, não respeitando o novo ‘decoro’ democrático, se mostram, ainda, homens do passado, amigos do Antigo Regime. A escalada de poder de antipolidez revolucionária acompanha, portanto, o processo de radicalização.

No entanto, o movimento se esgota rapidamente. Sofre, como uma chicotada, a queda dos hebertistas e da extrema-esquerda da Revolução, eliminados pelo comitê de saúde pública no fim de março de 1794, e o subsequente refluxo do partido dos sans-culottes.

É nesse momento que um certo Bouin, num libelo intitulado Reflexões sobre os abusos de autoridade cometidos pelo comitê revolucionário da seção do templo, denuncia como perigosa para a Revolução aqueles que a ‘encaram como algo que nos leva a um estado de grosseira e rusticidade’, notadamente ao tratar com rudeza e por tu as mulheres, ‘em relação às quais o tratamento tu é inconveniente em todos os sentidos, pouco generoso e pouco moral’.

Ocorre então a estocada de Parthe: ‘Sem dúvida, esse tratamento é a linguagem da igualdade, mas por que empregá-lo em relação às mulheres, que, em todos os outros níveis, nós nos recusamos a encarar como nossas iguais, já que não lhes concedemos os mesmos direitos?’. [...]

Esse refluxo da antipolidez se acelera após o termidor e a queda de Robespierre — tornando-se então o fato de zombar da ‘civilidade’ jacobina uma forma de tomar partido, e um meio também de exorcizar a malfadada lembrança do Terror. [...]

Retorno do tratamento proibido durante a Revolução Francesa 

Muito cedo, os antigos usos recuperarão seu direito de cidadania... Predição rapidamente confirmada, sobretudo no nível da linguagem, com o retorno dos termos interditos senhor ou senhora...

Pouco a pouco a palavra cidadão tende a parecer irrisória e ridícula, e muitos não a empregam senão para os subalternos, como para lhes acentuar a inferioridade, o que tem por efeito exasperar os ‘patriotas’.(1) Antes sacralizado, o título se torna risível.

Em fevereiro de 1798, o deputado bretão Jean-René Gomaire propõe adotar uma lei visando abolir o uso das palavras seu e senhor nas letras de câmbio, onde elas tendem a reaparecer cada mais com mais frequências; no dia 16 de abril, uma comissão especial produz um primeiro relatório que renova, com todas as firulas, a antipolidez jacobina:‘Certamente’, concede o relator, Gerla, ‘eu não pretendo banir a polidez do comércio da sociedade, mas a urbanidade republicana não tolera as fórmulas de um regime escravo’,como senhor, que significa padrão, e, portanto implica ideias ‘incompatíveis com nosso pacto social’. Daí a necessidade de ir ainda mais longe, estendendo a proibição a ‘toda sorte de relações sociais’.(2) A proposta será adotada por unanimidade pelo conselho. Mas as coisas não param por aí.

Num segundo relatório, datado de 22 de julho do mesmo ano, Gerla declara com ênfase que é preciso cogitar sanções; e, a esse propósito, desenvolve o lado desesperado de seu intento. É preciso, escreve ele, agir com severidade, principalmente contra o uso verbal, o uso cotidiano desses termos. Isso é preciso ao mesmo tempo porque a maioria republicana ‘aguarda medidas penais com impaciência’, a fim de que o mal não prospere, e para ‘propagar’ o uso do título cidadão entre todos aqueles que ‘hoje o desdenham’.(3)

À falta de uma lei que não será adotada, o governo republicano, apegado a seus símbolos, exige ainda, em 1799, que as camareiras dos teatros parisienses digam cidadão aos espectadores, em vez de senhor.(4)

Nesse época, um comissário de administração ou um agente público que empregue esse termo suspeito (senhor ou senhora) é passível de perseguições. Mas nada disso acontece: o uso antigo retorna numa irresistível restauração que de resto suscita inúmeros incidentes, como em 1795, quando um jovem vendedor de refrescos é chamado às falas por um padeiro que ele havia chamado de cidadão.

Apesar das ordens, ninguém mais se incomoda, mesmo em público, ao empregar as palavras interditas ou ao conspurcar os títulos obrigatórios: apenas um ano após a queda de Robespierre, o autor de um panfleto antijacobino não hesita em introduzir seu libelo com o uso desta frase, que soa como uma afronta ao igualitarismo: ‘Recebi, senhor, a carta infinitamente polida que vós me fizestes a honra de endereçar...’.(5)

A velha e aristocrática polidez francesa 

Assim como a palavra cidadão, e pelas mesmas razões, o tratamento tu não sobreviverá por muito tempo ao termidor. No dia 13 de março de 1795 (23 do ventoso do ano II), no Café de Foy, eclode um pequeno tumulto porque alguém ousou tratar por tu a um general.(6) [...]

A antipolidez igualitária e democrática parece ter desaparecido na prática — mesmo entre os republicanos militantes e na classe operária, e só as individualidades excepcionais, os ‘desbocados das fábricas’, continuam a afetar uma grosseria de princípio, diluviana e contestatária. Em 1869, Ernest Renan, revertendo a perspectiva, vê exatamente aí a garantia de que esse país [França] jamais se tornará (verdadeiramente) republicano: ‘A monarquia’, escreve ele, ‘responde às necessidades profundas da França. Nossa amabilidade só é suficiente para fazer de nós maus republicanos. Os charmosos exageros da velha polidez francesa, a cortesia que nos põe aos pés daqueles com quem nos relacionamos é o contrário dessa secura, que dá ao democrata o sentimento perpétuo dos seus direitos. A França não se sobressai senão no raro, não ama senão o distinto, não sabe realizar senão o aristocrático’.(7)

Se a antipolidez persiste é, portanto, de modo marginal, no interior de grupos mais radicais, ou em certos momentos de crise.

Tentativas de retorno da trilogia revolucionária 

A revolução de 1848, notadamente nos primeiros dias, parece, porém, estar a ponto de reatar com a antipolidez dos sans-culottes. É o que se ressente Balzac, ao escrever à madame Hanska, que estava na Polônia, em carta de 26 de fevereiro de 1848: ‘Paris está em poder da canalha mais vil. Penso em preparar minha partida, pois as medidas mais revolucionárias se sucedem com rapidez. Qualquer cidadão é guarda nacional. Enfim, já foi pronunciada a trindade fatal: LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE. Toda gente se trata por tu’.(8)

Em Paris, no clima de insurreição que sucede à queda da Monarquia de Julho, aqueles que a si próprios se qualificam de ‘montanheses’, a exemplo de seus modelos de 1793, não usam o termo senhor senão como forma de insulto, para se dirigir aos suspeitos de serem reacionários, inimigos da república. É o que relata certo Chenu, ex-capitão da guarda do chefe da polícia montanhesa, Caussidière. Interpelado por um subordinado, que o trata por ‘senhor chefe’, ele imediatamente o corrige: ‘Diga cidadão’. Um pouco depois ameaçado de ser substituído, o cidadão chefe se exalta: ‘O primeiro que vier tomar o meu lugar, eu acabo com ele na porta. Pois eu quero que esses senhores’ — e ele sublinha a palavra — ‘fiquem sabendo que ninguém substitui Caussidière [...] Tu, capitão, tu vais me organizar militarmente um exército revolucionário’.(9) O fortalecimento do partido da ordem e a repressão a esses partidos extremistas, após as jornadas de junho, porão um termo a isso”.

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Notas:
(1) Cf. F. Brunot, Histoire de la langue française, t. IX, 2ª parte, p. 686.
(2) Gerla, Rapport sur proposition d´abolir l´usage des mots sieur et monsieur dans les lettres de change, De l´Imprimerie nationale, germinal do ano VI, pp. 3, 5.
(3) Second rapport sur les anciennes qualifications, De l´Imprimerie nationale, termidor do ano VI, pp. 5, 8-9.
(4) Cf. F. Brunot, Histoire de la langue française, t. IX, 2ª parte, p. 687.
(5) Tous les parties dévoilés, C.F.Patris, 27 do fruidor do ano III, p. 1.
(6) A. Soboul, Les Sans-Culottes parisiens en l´na II, p. 657.
(7) Domestic Manners of the Americans, New York, Knopf, 1949, p. 186; ed francesa: Baudry, 1832. (8) H. de Balzac, Lettres à Mme Hanska, Les bibliophiles de l´original, 1971, t. IV, p. 212.
(9) A. Chenu, Les Conspirateurs, Garnier Frères, 9ª ed., 1850, pp. 87, 92.


São Paulo, terça-feira, 4 de setembro de 2012

Livro à venda no Brasil: "O Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita"

Autor: Edson   |   11:01   2 comentários

Sucesso de vendas na Europa, este livro nos ajuda a compreender não só os acontecimentos de ontem, mas também os problemas religiosos na Igreja de Hoje.


Conheça o autor:

Roberto de Mattei nasceu em Roma, em 1948. Formou-se em Ciências Políticas na Universidade La Sapienza. Atualmente é professor de História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma, no seu departamento de Ciências Históricas, de que é o diretor.

Até 2011, foi vice-presidente do Conselho Nacional de Investigação da Itália, e entre 2002 e 2006, foi conselheiro do governo italiano para questões internacionais.

Roberto de Mattei
Em 2008, foi agraciado pelo Papa com a comenda da Ordem de São Gregório Magno, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à Igreja. É membro dos Conselhos Diretivos do Instituto Histórico Italiano para Idade Moderna e Contemporânea e da Sociedade Geográfica Italiana. É presidente da Fundação Lepanto, com sede em Roma, dirige as revistas Radici Cristiane e Nova Historica e colabora com o Pontifício Comité de Ciências Históricas.

Com este livro, o autor recebeu o Prêmio Acqui Storia 2011 e foi finalista do Prêmio Pen Club Itália 2011.O Concílio Vaticano II - Uma história nunca escrita.

Autor: Roberto de Mattei
Tamanho: 16cm x 23cm x 3,3cm (CxAxL)
Paginas: 544
Editora: Caminhos Romanos - Porto



***

Leia abaixo a entrevista que Roberto de Mattei concedeu à revista Catolicismo sobre o livro:
“O Vaticano II: Uma história jamais escrita”

Prof. de Mattei

“Foram de muita utilidade as cartas de D. Helder e os relatórios do Dr. Murillo, que descrevem os contatos do Prof. Plinio e sua equipe no Concílio”
A respeito do livro com o título em epígrafe, o autor, Prof. Roberto de Mattei, vice-presidente do Centro Nacional de Pesquisas da Itália e catedrático da Universidade Européia de Roma, concedeu substanciosa entrevista exclusiva a Catolicismo. Na obra, ele descreve com cores vivas e minúcias densas de significado o confronto entre a ala progressista e a ala conservadora — com a vitória da primeira — bem como as profundas e graves conseqüências do Concílio Vaticano II para a vida da Igreja e da sociedade, que se projetam até os dias de hoje.

Catolicismo — Obrigado professor por conceder esta entrevista. Sabemos que o Sr. está muito ocupado devido à polêmica que surgiu com a publicação de seu último livro O Vaticano II: Uma história jamais escrita.
Prof. de Mattei — De fato, esse livro tem suscitado amplo debate, no qual intervieram apologetas de renome aqui na Itália, provavelmente pouco conhecidos no Brasil, como Francesco Agnoli, Mario Palmaro, Alessandro Gnocchi, Corrado Gnerre, os quais se têm expresso em favor das teses que sustento. Enquanto Alberto Melloni, o atual líder da progressista e muito conhecida Escola de Bolonha, assim como outros intelectuais moderados como Andrea Tornielli, o vaticanista do quotidiano “Il Giornale”, assumiram uma posição contrária. Aliás, antes mesmo da tradução de meu livro para outras línguas, ele já está alcançando repercussão em muitos outros países, devido à reprodução em sites e blogs católicos de artigos que se ocupam dele, como um recente post do conhecido vaticanista Sandro Magister.

São Paulo, quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

São Tomás ajudou no atentado contra Hitler

Autor: Edson   |   17:04   2 comentários


Creio que muitos já viram o filme “Operação Valquíria” (foto acima) onde o ator Tom Cruise interpreta o coronel Claus Von Stauffenberg que planejou e executou um atentado contra Hitler no dia 20 de julho de 1944.

Mas infelizmente o filme fica nos devendo muitos detalhes importantes sobre a vida de Stauffenberg, omitidos, a meu ver, propositadamente. O leitor mesmo poderá analisar os dados abaixo e julgar se algum diretor da indústria cinematográfica teria coragem de colocá-los no roteiro.

Hitler cumprimenta o
general Fromm na Toca do Lobo
em 1944. À esquerda
Stauffenberg.
Nascido em 1907 em uma família aristocrática católica, Claus Von Stauffenberg era filho do conde Alfred, marechal da corte do último rei da Alemanha, Guilherme II, que inspirava aos seus descendentes o culto ao império alemão restaurado por Bismarck (fato esse que não considero tão louvável).

Desde setembro de 1942, diante do assassinato em massa de civis e judeus, Von Stauffenberg se declara com intenção de matar Hitler, mas seus amigos levantavam um problema de consciência. A obediência do exército alemão era uma questão de honra e atentar contra o chefe da nação não constituiria uma traição e um pecado grave de assassinato?

Mesmo Stauffenberg confidenciou ao seu antigo amigo da Escola de Guerra, Albrecht Mertzvon von Quirnheim, católico como ele, no dia 13 de julho de 1944: "Estou ciente de que nós vamos enterrar o espírito militar alemão (...). No entanto, devemos agir, pela Alemanha e pelo Ocidente”.

Quanto ao problema de consciência de seus amigos, Stauffenberg respondia com um argumento extraído da Summa Theologica de Santo Tomás de Aquino (In 2 Sentenças, 44.2.2) para justificar que o tiranicídio é permitido em certas circunstâncias.

Tempo antes, Stauffenberg havia se encontrado com o cardeal de Berlin, o conde Konrad Von Preysing, para discutir a matéria, e o purpurado alemão elogiou a intenção do nobre oficial e não apresentou nenhuma objeção teológica à razão apresentada.

Toca do Lobo após a explosão.
No dia 19 de julho de 1944, o coronel Von Stauffenberg entrou em uma Igreja para rezar e só depois foi para casa dormir. Um dia depois, ele colocou uma bomba aos pés de Hitler, em Rastenburg, no leste da Prússia, quando este se encontrava em uma reunião com o seu Estado Maior na Toca do Lobo. A bomba explodiu, mas não Hitler não morreu.

O conde Von Stauffenberg e mais três outros foram executados naquela mesma noite.

No dia 7 de julho de 1944, o general von Tresckow confiou à Stauffenberg: “O ataque deve ser feito a todo custo. Mesmo se não tiver êxito, porque é para mostrar para o mundo e para a História que a resistência alemã ariscou tudo por tudo. Fora isso, nada mais importa”.

Pe. Alfred Delp, SJ, no tribunal
nazista diante do temível juíz
Roland Freisler.
Depois do fracasso, a Gestapo conseguiu prender, oito dias depois, o padre jesuíta Alfred Delp após encontrar o nome dele escrito em uma caderneta pessoal de Stauffenberg. O Pe. Delp secretamente ajudava a fuga de judeus da Alemanha para a Suíça.

Os nazistas não conseguiram comprovar o envolvimento do sacerdote jesuíta no atentado de 20 de julho, mas, mesmo assim, o condenaram a forca.Pe. Delp morreu no dia 2 de fevereiro de 1945, seu corpo foi cremado e suas cinzas jogadas no esgoto. Um dia após sua execução, o juíz Roland Freisler, um dos mais terríveis de todo o regime nazista, faleceu durante um bombardeio. Deus o soterrou com as ruínas do simulacro de império que Freisler, em vão, ajudava a construir.



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Fontes consultadas:

- Jean-Claude Valla. Revista Le Spetacle du Monde, fevereiro 2009. “Opération Walkyrie, Pour l’honneur de l’Allemagne”.

- Peter Hoffmann. “Stauffenberg: a family history, 1905-1944”, 2ª edição. Cambridge University Press, 1995.

- Fr. William Saunders. “Does the Church Condone Tyrannicide?”. Cfr: http://www.catholiceducation.org/articles/religion/re0476.html, acessado em 29/2/2012.

- Mary Frances Coady. "With bound hands: a Jesuit in Nazi Germany". Loyola Press, 2003.

São Paulo, segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"Bolsa Família" do período monárquico saia do bolso do Imperador

Autor: Edson   |   11:26   1 comentário



No Brasil, durante o regime monárquico, havia também uma espécie de "Bolsa Família", mas com diferenças significativas. Essa política de assistencialismo é hoje feita por governos populistas e demagógicos com dinheiro tirado do bolso dos contribuintes para fins eleitoreiros e outros mais obscuros. Enquanto que no período da monarquia o auxílio aos "necessitados, enfermos, viúvas e órfãos" tinha toda uma atmosfera de caridade evangélica e os gastos saiam do bolso do próprio Imperador Dom Pedro II.

Conforme a coluna de Dante Mendonça no jornal Paraná Online, quatro dias após a proclamação da República foi aprovado o seguinte decreto (os negritos são meus):
Considerando que o senhor D. Pedro II pensionava, de seu bolso, a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, para muitos dos quais esse subsídio se tornava o único meio de subsistência e educação;

Considerando que seria crueldade envolver na queda da monarquia o infortúnio de tantos desvalidos;

Considerando a inconveniência de amargurar com esses sofrimentos imerecidos a fundação da República;

Resolve o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil:

Artigo 1° - Os necessitados, enfermos, viúvas e órfãos, pensionados pelo Imperador deposto continuarão a perceber o mesmo subsídio, enquanto durar a respeito de cada um a indigência, a moléstia, a viuvez ou a menoridade em que hoje se acharem.

Artigo 2° - Para cumprimento dessa disposição se organizará, segundo a escrituração da ex-mordomia da casa imperial, uma lista discriminada quanto à situação de cada indivíduo ou à quota que lhe couber.

Artigo 3° - Revogam-se as disposições em contrário.

Sala das sessões do Governo Provisório, em 19 de novembro de 1889 - Manuel Deodoro da Fonseca - Aristides da Silveira Lobo - Rui Barbosa - Manuel Ferraz de Campos Sales - Quintino Bocaiúva - Benjamim Constant Botelho de Magalhães - Eduardo Wandenkolk".

São Paulo, sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A catolicidade da Princesa Isabel vista por um bisneto

Autor: Edson   |   15:42   2 comentários

Princisa Isabel, Dom Pedro Henrique“Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria” (Testamento da Princesa Isabel).

Comemorando neste mês de novembro o 90º aniversário de falecimento da Princesa D. Isabel (foto ao lado), o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira promoverá, no próximo dia 29, três conferências sobre a vida da Princesa Imperial do Brasil, a Redendora, cuja abertura de processo de beatificação está sendo estudada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro.

O evento ocorrerá no hotel Golden Tulip Paulista Plaza, Alameda Santos 85 Jardins, São Paulo, e terá inicio às 19h30.


Conferencistas:
1. Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança – bisneto da Princesa Isabel.

2. Prof. Hermes Rodrigues Nery – historiador, vereador em São Bento do Sapucaí (SP), contará detalhes sobre a história da Princesa.

3. José Carlos Sepúlveda da Fonseca – Falará sobre nobreza e elites tradicionais: seu papel na formação, sustentação e salvaguarda da sociedade.


Juramento da Princesa Isabel ao assumir o governo do Brasil como regente.

São Paulo, quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Qual foi a razão das navegações portuguesas?

Autor: Edson   |   18:12   3 comentários

Holy War, Nigel Cliff, História, Navegações portuguesas, Vasco da Gama

Responda rápido. Vasco da Gama recebeu ordens do rei de Portugal para achar o caminho para as Índias. Qual era o objetivo da missão?

A) Inserir Portugal no comércio de especiarias;

B) destruir o poderio comercial e marítimo do Islã;

C) selar uma aliança com um lendário monarca cristão do Oriente e reconquistar Jerusalém;

D) todas as anteriores, com prioridade para “B” e “C”?

Se você foi um bom aluno de escola pública e decorou os livros do MEC, então certamente você errou.

São Paulo, quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Batalha de Iwo Jima e o heroísmo católico, detalhes desconhecidos sobre a famosa foto

Autor: Edson   |   16:49   14 comentários



Escrevi este artigo depois de pesquisar em fontes norte-americanas, pois não encontrei dados - mesmo irrelevantes - em nenhum site ou blog de língua portuguesa. Talvez até – pode ser uma pura pretensão minha - seja a primeira vez que ela é contada, ao menos na internet, em nosso idioma. Submeto-a para apreciação de nossos leitores.

***

A foto famosa ao lado, intitulada Raising the flag on Iwo Jima, registrou o momento em que os marines conquistaram, no dia 23 de fevereiro de 1945, o cume do vulcão Suribachi (foto acima), ponto mais alto da ilha de Iwo Jima. Esta foto foi tirada por Joe Rosenthal na segunda vez em que a bandeira norte-americana foi levantada.

Mas o que não é muito conhecido é lado da bravura profundamente católica que envolveu o primeiro hasteamento da bandeira.

São Paulo, quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“Antonio Conselheiro e Canudos”, se não for o tema mais controvertido da história nacional, está entre os primeiros - Ebook

Autor: Edson   |   15:31   2 comentários

A igreja nova de Canudos, ou
Igreja de Bom Jesus, construída
sob orientação de Antônio Conselheiro,
principal baluarte da resistência no final
do conflito.
Não podemos deixar que aspectos importantes de nossa História sejam contadas com viés marxista. Para quem conhece a atual cidade de Canudos não poderá deixar de notar a relação - que querem nos empurrar goela abaixo - entre os bravos canudenses que entraram em conflito armado contra a república e os baderneiros do MST.

Este blog aconselha vivamente a leitura do livro Antônio Conselheiro e Canudos de Ataliba Nogueira para que nossos leitores tenham um conhecimento real dos motivos religiosos e políticos que motivaram essa Vendée no nordeste brasileiro.

Clique aqui, acesse o blog Leituras Católicas e obtenha gratuitamente o ebook dessa importante obra.

Segue abaixo a transcrição do artigo publicado no referido blog.

São Paulo, quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A história da imagem de Nossa Senhora da Luz e a fundação de Curitiba

Autor: Ivan Rafael   |   22:45   6 comentários

Em razão da festa de Nossa Senhora da Luz e da fundação da cidade de Curitiba, comemoradas dia 8 de setembro, narramos abaixo um relato sobre a história pouco conhecida ou eclipsada do milagre ocorrido para a colonização da capital paranaense.

(Foto ao lado: Cacique Tindiquera indica o local da fundação de Curitiba - pintado por Theodoro De Bona)

São Paulo, quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Luz sobre a Idade Média (Régine Pernoud) - Download ebook

Autor: Edson   |   11:30   5 comentários


"Idade das trevas" ou "época de obscurantismo" são alguns dos slogans que mais ouvimos nas escolas quando o tema é sobre a Idade Média.

A historiadora francesa Régine Pernoud, em seu livro Luz sobre a Idade Média, mostra um panorama muito diferente do que aprendemos desse período de coragem, Fé, aventuras, castelos, reis, nobres e camponeses que, embora a legenda negra, tanto fascinaram a imaginação em nossa infância. Quantas vezes peguei minha irmã caçula brincando de princesa no quarto com suas bonecas.

Este livro revela toda a riqueza do período medieval e aspectos menos conhecidos nossos como o interesse às ciências e à medicina que tiveram grande desenvolvimento nesse período.

São Paulo, sábado, 27 de agosto de 2011

Documentário: O mito da Inquisição espanhola (BBC)

Autor: Edson   |   09:35   6 comentários

História, Inquisição, Igreja, Idade Média, Espanha, documentário
"A verdade pede fundamentalmente uma coisa para ser julgada: é ser ouvida" (Bossuet).

Recomendamos aos nossos leitores, neste final de semana, um interessante documentário da BBC sobre a Inquisição espanhola. No vídeo, historiadores e especialistas da matéria desmentem os mitos a respeito da instituição. A lenda negra cai por terra.

São Paulo, sábado, 2 de julho de 2011

Coração de Leão - Ja nuns hons pris (música medieval)

Autor: Edson   |   08:37   2 comentários

Ricardo Coração de Leão
Não havia mais uma cruz em suas vestes, nem mesmo a razão da batalha era religiosa. Retornando da Terra Santa, o monarca necessitava acabar com as revoltas nos domínios ingleses na França. Corajoso e destemido, o rei da Inglaterra bem mereceu o título que o imortalizou: Ricardo, Coração de Leão.

Sitiando o castelo de Chaluz, preferiu não usar armadura na disputa militar contra o visconde Ademar. A audácia custou desta vez sua vida. No alto das muralhas, um arqueiro pronto para disparar observa com muita atenção todos os movimentos de Ricardo. Quando este desceu de seu cavalo para analisar melhor a situação, pode ainda contemplar o rápido movimento da flecha que vinha ao seu encontro.

São Paulo, sábado, 28 de maio de 2011

Documentário: The Soviet Story (Legendado)

Autor: Edson   |   12:23   Seja o primeiro a comentar


Por uma fresta no tecido que vendava seus olhos, o jovem ainda conseguia ver um pouco o chão coberto de gelo em que pisava. Nevara a noite inteira. Seu corpo tremia, não tanto pelo frio intenso, mas pelo medo que sentia em sua alma.

Ele nota o chão manchado por um líquido vermelho que contrastava com o alvo da neve. Atrás dele, o soldado russo, que o conduzia, coloca a mão sobre seus ombros e o faz parar. Em sua frente, uma vala profunda com corpos de seus colegas assassinados. Ele houve o barulho de um gatilho e sente o cano da arma encostar em sua cabeça...

São Paulo, quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O harem do Sultão, o pobre imbecil e nossa geração

Autor: Edson   |   18:26   6 comentários

Ivan Rafael de Oliveira

A
s noticias que se lêem do presente bem podem indicar a realidade em que vivemos, mas muitos fatos do passado nos fazem entender melhor algumas conseqüências dessa realidade. É por isso que convido o leitor a conhecer um fato pouco conhecido da história.

Não vamos voltar muito, apenas até o inicio do século XX, mais propriamente em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial.

Quando algumas complicações de guerra levaram os imperadores da Áustria-Hungria, Carlos de Habsburgo e sua esposa Zita, a fazerem visitas a seus aliados, tiveram de passar também pela Turquia. Ao chegar em Constantinopla, atual Istambul, foram recebidos pelo Sultão Otomano Mehmed V.

Qual não foi a decepção de Carlos e Zita ao se depararem com um monarca que nada correspondia com as fábulas arabescas. Um homem de pernas tortas, cujos olhos piscavam timidamente enquanto os lábios sorriam bobamente, sempre amparado por dois lacaios que o guiavam. O grão-senhor da “Sublime Porta” era um simples imbecil, que apenas tartamudeava. Sua história desafiava toda ficção.

Após essa surpresa, o guia lhes explicou o caso em poucas frases.

Abdul Hamid II foi o antecessor e irmão mais velho de Mehmed V. Também conhecido como o Sultão Vermelho por ter mandado exterminar cerca de 400 mil armênios, nos chamados massacres hamidianos. Ele não era popular devido a sua crueldade e se via cercado de inimigos que tramavam a sua deposição. Sua desconfiança voltava-se particularmente contra seu inofensivo irmão Reshid, futuro Mehmed, em que Abdul via seu provável sucessor. Uma vez que nenhum mal podia ser feito a este que era ainda um menino, tornava-se necessário destruí-lo por algum meio oculto. Matar? Prender? Torturar? Não ficaria bem. Conhecedor de todas as praticas bestiais, Abdul rapidamente descobriu a melhor solução para inutilizar o rapaz.

Reshid foi trancado numa prisão. Mas não uma prisão comum: ele ficou preso no próprio harem real. Durante nove anos o rapaz ficou a se “distrair” da única maneira possível em tal lugar. Quando finalmente o soltaram de seu orgíaco cativeiro, ele era esse pobre imbecil.

Ao concluir a história, o próprio guia afirmou que uma cela de prisão a pão e água teria feito menos mal.

***

Mas o que tem esse fato com qualquer coisa do presente? Alguém pode perguntar.

A Resposta é simples. O fato narrado é real, o desregramento moral de Mehmed produziu nele a imbecilidade. E o que houve com esse rei em larga escala, pode estar acontecendo com a sociedade atual em marcha mais lenta.

Pelo acompanhamento diário das notícias não nos faltam exemplos para ver o quanto a imoralidade, a pornografia e a promiscuidade vão se tornando cada dia mais corrente e aberto na sociedade. As próprias crianças vão sendo acostumadas a essas coisas cada vez mais cedo. Basta ver como são os programas do governo que tratam do assunto a pretexto da prevenção da AIDS, o modo como essas coisas são tratadas por despudorados professores escolares, a apresentação das propagandas comerciais em todos os ramos da mídia, e até mesmo o modo como muitas vezes os próprios pais ensinam aos filhos.

Concomitantemente a capacidade de concentração das atuais gerações vai minguando – que o confirmem os professores!

Haveria realmente alguma ligação da imoralidade com a “burrificação” da sociedade?

Coincidência ou não, as duas estão caminhando. E a sociedade vai tomando o rumo do pobre imbecil, Mehmed V.