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"A Revolução Francesa começou com a declaração dos direitos do homem, e só terminará com a declaração dos direitos de Deus." (de Bonald).
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São Paulo, domingo, 3 de dezembro de 2006

Rafael Correa, um moderado ... até quando?

Autor: Edson   |   15:45   1 comentário

Na natureza há um fato muito singular e também impressionante: a metamorfose da lagarta em borboleta.

O que era um bicho feio e rastejante passa a se tornar uma singela e frágil borboleta que com suas cores e voar incerto alegra e enfeita os jardins.

Salvo as devidas proporções, pode-se considerar também que as pessoas são psicologicamente susceptíveis a metamorfoses, não de forma determinista, mas de forma consentida.

Por causa dos diversos matizes é difícil traçar princípios absolutos a esse fenômeno psicológico que atendam todas as situações possíveis, mas observo que em algumas pessoas essa metamorfose é sincera e em outras é apenas por mero interesse político.

Muitos marxistas - nem todos -, por exemplo, desde a década de 40, começaram a se metamorfosear; de agressivos passaram a ser sorridentes. Evidentemente, isso não passava de uma mera metamorfose de interesse essencialmente político, pois o objetivo era uma desmobilização psicológica do ocidente em relação ao comunismo.

Outro exemplo de metamorfose por interesse político é o caso das eleições equatorianas. Em 15 de Janeiro de 2007, no Equador, o governo esquerdista e populista de Rafael Correa, recentemente eleito, tomará posse da presidência.

Depois de perder no primeiro turno Correa se viu obrigado a adotar a tática da metamorfose. Os eleitores centristas equatorianos, diante do apoio formal de Hugo Chaves e dos discursos extremistas do candidato, resolveram votar no seu opositor: o empresário Álvaro Noboa. A vitória deste não foi suficiente, gerando assim um segundo turno.

Perante essa situação, Rafael Correa amenizou o discurso, passando a se mostrar moderado, dizendo que não era comunista, afimando-se católico praticante, chegando ao ponto de demonstrar simpatias aos EUA e prometendo se distanciar de Chavez caso ele queira se intrometer em assuntos internos do Equador. A tática deu certo e o resultado foi uma expressiva vitória.

O problema é que nossa lagarta não se transformou verdadeiramente. Ela apenas está fantasiada de borboleta, vestida com asas e anteninhas, para agradar o eleitorado centrista - setor onde se encontra o maior número de seus eleitores.

Segundo o chileno José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, "Correa fez um grande esforço, um esforço maciço, para apresentar no segundo turno um programa moderado que atraiu uma quantidade imensa de eleitores.” Mas alertou: “[Ele] terá de responder por todo esse eleitorado”.

Nossa Senhora de Quinche, padroeira do EquadorUma pergunta fica no ar: até quando a lagarta irá se manter fantasiada de borboleta?

Penso que Rafael Correa, no momento em que o ambiente se mostrar propício, irá tirar a máscara de moderado, pois em entrevista a rede de TV Canal 8 ele lembrou a aliança que tem com Hugo Chávez: “Vamos nos aproximar muito, muito de Chávez”, embora ressaltando que seu governo será independente da Venezuela: “Chávez é meu amigo pessoal, mas na minha casa não mandam meus amigos, mando eu. E no Equador, serão os equatorianos”.

Enquanto a opinião pública equatoriana souber que lagarta é lagarta e borboleta é borboleta, não será muito cedo que veremos a queda da máscara.

A lagarta choca os olhos de muitos centristas e conservadores. O problema virá apenas se a extrema esquerda equatoriana souber aplicar na mente dos seus compatriotas uma espécie de anestesia, onde a opinião pública passe a não se importar com a presença da lagarta. Que Nossa Senhora de Quinche, padroeira do Equador, proteja os equatorianos dessa manobra.

Artigo relacionado: Luta pelo centro exige recuo da esquerda

São Paulo, domingo, 8 de outubro de 2006

Eleições equatorianas e tentação "chavista"

Autor: Edson   |   11:58   Seja o primeiro a comentar

Destaque Internacional - Informes de Coyuntura - Año IX - No. 204 - Madrid, Outubro de 2006 - Responsável: Javier González.
(Resumo do editorial sobre as próximas eleições presidenciais equatorianas)
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Ecuador:EnviarTextoCompleto
* No Equador, o próximo 15 de outubro uma dezena de candidatos presidenciais disputará as eleições, em um ambiente político fragmentado e confuso que contribui a colocar os eleitores diante de uma perigosa tentação: a de passar à órbita do neoimperialismo "chavista", com Venezuela, Bolívia e Cuba.
* Chávez representa hoje, na América Latina, a ponta de lança do populismo demagógico, com idéias totalitárias e retrógradas com relação à economia, aos partidos políticos, aos meios de comunicação e à justiça, que promete bem-estar para o povo mas que na realidade, depois de despilfarrar os recursos provenientes do petróleo, poderá generalizar a miséria na Venezuela e nos países que caíram sob sua influência.
* De acordo co, as últimas pesquisas, nenhum candidato presidencial equatoriano conseguiu atrair a adesão de sectores majoritários do eleitorado: em números redondos, o social-democrata León Roldós teria 19% das intenções de votos, seguido do "chavista" Rafael Correa, com 14% e da social-cristã Cynthia Viteri com 12%.
* Se nenhum deles supera o 50%, uma hipótese que segundo os analistas equatorianos é a mais provável, se realizará um segundo turno no próximo 26 de novembro. Neste contexto, preocupa especialmente a possibilidade de que Rafael Correa, um discípulo declarado do presidente de Venezuela, Hugo Chávez, passe ao segundo turno e possa ser eleito presidente do Equador.
* O resultado das eleições equatorianas, na atual conjuntura latino-americana, será decisivo para impedir o acelerar do avance do populismo no continente. É esta a hora histórica providencial de nações como o Equador, pequenas fisicamente, mas capazes de ser grandes espiritualmente.
Tradução: Edson Carlos de Oliveira